filmes do chico

Um encontro com François Truffaut, um beijo em Julianne Moore, uma manhã na vitrine com Audrey Hepburn, um piquenique com Billy Wilder. Uma viagem fantástica pelo mundo maravilhoso do cinema e suas criaturas mais fabulosas. Um blog sobre cinema.
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Chico/Male/26-30. Lives in Brazil/São Paulo/São Paulo/Cerqueira César, speaks Portuguese and English. Spends 20% of daytime online. Uses a Normal (56k) connection. And likes François Truffaut/Julianne Moore.
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Chico Fireman é jornalista, 28 anos. Sagitário, Tigre. Curte rock, ama quadrinhos e vive para o cinema. É meio tímido de cara, mas logo fica seu amigo. Há boatos que atribuem sua origem a uma cápsula voadora que teria vindo do hoje extinto planeta Krypton. Mas não há nada confirmado.

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Terça-feira, Março 02, 2004


Muitos ajustes ainda precisam ser feitos, mas eu já tenho um novo endereço:

www.filmesdochico.blogspot.com

CHICO FIREMAN 7:06 PM [+]
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Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004


THE END

Decisão difícil, mas definitiva. Eu cansei da palhaçada do Blogger Brasil de limitar o espaço dos seus blogues. O Filmes do Chico encerra suas atividades aqui. Ainda estou estudando a possibilidade de migrar para outro servidor. O Blogspot (e suas limitações) seria o destino mais provável, mas estou meio cansado mesmo e não tenho tempo e conhecimento de html o suficiente para montar um novo blog do jeito que eu gostaria. E fazer o que a gente quer da forma que a gente não quer é deveras frustrante. Acho muito difícil eu não criar um novo blog, mas, por enquanto, o vácuo é meu endereço. Agradeço a todos os visitantes neste um ano e um mês de blogue. Aviso sobre possíveis novidades. Beijos e abraços.

Chico.

CHICO FIREMAN 8:35 PM [+]
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Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004


Oscar 2003: apostas

Tô muito cansado para um lead, então aí vão elas, as minhas apostas: na ordem que eu acho que dá. O post não tem fotos porque não quero estourar minha continha no blogger.com.br.

filme

1 O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Peter Jackson, produzido por Barrie M. Osborne, Peter Jackson e Fran Walsh
2 Sobre Meninos e Lobos, Clint Eastwood, produzido por Robert Lorenz, Judie G. Hoyt e Clint Eastwood
3 Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo, Peter Weir, produzido por Samuel Goldwyn, Jr., Peter Weir e Duncan Henderson
4 Encontros e Desencontros, Sofia Coppola, produzido por Ross Katz e Sofia Coppola
5 Seabiscuit - Alma de Herói, Gary Ross, produzido por Kathleen Kennedy, Frank Marshall e Gary Ross

Não há muito o que falar. O Retorno do Rei deve levar o Oscar que A Sociedade do Anel deveria ter ganho em 2001. A grande trilogia de Peter Jackson parece finalmente ter gerado um filme agradável aos olhos da Academia. Foram dezenas de prêmios, clima de épico, bilheterias majestosas. Fórmula imbatível num ano em que nenhum outro filme parece ter cara de Oscar na categoria principal. O resultado, se confirmado, vai ser muito mais do que justo. A saga de Jackson consegue uma coisa difícil no cinemão: perfeição técnica e uma direção que valoriza interpretações e roteiro e não se rende a necessidades financeiras. O Retorno do Rei é um grande filme, em todos os sentidos em que essa frase possa ser interpretada. A opção seria Sobre Meninos e Lobos, mas o longa de Clint Eastwood perdeu força com o tempo, além de ter uma temática não tão assimilável. Mestre dos Mares, apesar de muito bom, não é para todos os paladares, Encontros e Desencontros tem público muito restrito e não faz o perfil de um filme vencedor e Seabiscuit, a bobagem do ano, é o tipo de filme que emplaca somente nas indicações.

num mundo provável: O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Peter Jackson, produzido por Barrie M. Osborne, Peter Jackson e Fran Walsh
num mundo perfeito: O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Peter Jackson, produzido por Barrie M. Osborne, Peter Jackson e Fran Walsh
faltou na lista: Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lund.


diretor

1 Peter Jackson, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
2 Sofia Coppola, Encontros e Desencontros
3 Clint Eastwood, Sobre Meninos e Lobos
4 Peter Weir, Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo
5 Fernando Meirelles, Cidade de Deus

Peter Jackson, que, vamos ser justos, merece ganhar esse prêmio, tem todas as vantagens, mas elas não são tantas assim. Clint Eastwood é sinônimo de diretor sério e, mesmo com um prêmio na estante, pode surpreender, alguém duvida? Empatada com ele está Sofia Coppola. Olha a lógica: seria histórico - o primeiro Oscar de diretor para uma mulher. Esta mulher é uma Coppola, filha de um dos maiores nomes de Hollywood. O filme é inteligente e independente - e seria lindo a Academia premiar alguém assim. Mas mais provável mesmo é que Sofia garanta seu garotão dourado de melhor roteiro original. Peter Weir enfraquece sua candidatura frente a três oponentes mais visíveis. As indicações anteriores não devem contar muito. Fernando Meirelles é coadjuvante de luxo; não tem chances.

num mundo provável: Peter Jackson, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
num mundo perfeito: Peter Jackson, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
faltou na lista: Richard Linklater, Escola de Rock.


ator

1 Sean Penn, Sobre Meninos e Lobos
2 Bill Murray, Encontros e Desencontros
3 Johnny Depp, Piratas do Caribe
4 Jude Law, Cold Mountain
5 Ben Kingsley, House of Sand and Fog

A princípio, Sean Penn ou Bill Murray. Penn é um grande ator, sempre foi, e só nos últimos anos começa a ser reconhecido pela crítica, o que sempre pesa no Oscar, né? O passado vale tanto quanto o presente. Seu filme é "o grande filme sério do ano". E isso conta muito. Mas que ele está muito melhor em 21 Gramas, isso ele está. Bill Murray tem o melhor desempenho entre os indicados, mas sofre um pouco pelo caráter independente. Suas declarações de que, para ele, o prêmio pouco importa podem atrapalhar, embora sua candidatura tenha crescido nos últimos tempos. Johnny Depp parecia brincadeira da Academia, homenagem ao conjunto da obra, mas a vitória no guild deu um novo fôlego a sua candidatura. Ainda assim, é improvável. Mas Roberto Benigni também o era em 1998... Jude Law, que está muito bem num papel muito formal, não tem capacidade de empolgar o suficiente. E Ben Kingsley é só um grande nome para completar a lista.

num mundo provável: Sean Penn, Sobre Meninos e Lobos
num mundo perfeito: Bill Murray, Encontros e Desencontros
faltou na lista: Sean Penn, 21 Gramas


atriz

1 Charlize Theron, Monster
2 Diane Keaton, Alguém Tem que Ceder
3 Naomi Watts, 21 Gramas
4 Samantha Morton, Terra de Sonhos
5 Keisha Castle-Hughes, A Encantadora de Baleias

Prostituta serial killer ganhando Oscar? Parece estranho, né? Mas Charlize Theron tem tudo a seu favor. Monster é um filme de atriz (assim como eram Acusados, que elegeu Jodie Foster, e A Última Ceia, que premiou Halle Berry), com muita maquiagem para garantir a caracterização da moça e chamar atenção. Diane Keaton, dona de um peladão de ouro, tem boas chances, mas não tantas quanto Charlize. Naomi Watts é outra ameaça séria, mas 21 Gramas pode ser muito alternativo para a Academia. Samantha Morton é boa atriz, mas sua indicação me parece exagero. Keisha Castle-Hugles, a cópia-mirim de Jennifer Beals e a famosa "atriz mais jovem indicada ao Oscar", não deve passar muito perto do palco, apesar da boa performance. E o filme dela é muito ruim. ...mas, pensando bem, será que não seria uma zebra interessante?

num mundo provável: Charlize Theron, Monster
num mundo perfeito: Naomi Watts, 21 Gramas
faltou na lista: Scarlett Johansson, Encontros e Desencontros, a atriz do ano, a coisa mais fofa do ano...


ator coadjuvante

1 Tim Robbins, Sobre Meninos e Lobos
2 Ken Watanabe, O Último Samurai
3 Alec Baldwin, The Cooler
4 Benicio Del Toro, 21 Gramas
5 Djimon Hounsou, Terra de Sonhos

É lamentável, lastimável, mas a interpretação caricata e cheia de caras e bocas (de gente perturbada) de Tim Robbins deve ganhar o Oscar. Nota: eu gosto de Tim Robbins, mas sua performance nesse filme é fraca. Muito. Bem, o marido de Susan Sarandon ganhou tudo, né? Globo de Ouro, SAG... não tem muito jeito. O povo gosta de caricatura, fazer o quê? Os oponentes mais sérios de Robbins, ainda que a quilômetros de distância, são Ken Watanabe, interpretação muito boa num filme muito ruim, e Alec Baldwin. O filme do marido de Kim Basinger ainda não estreou no Brasil, mas a performance do ator tem sido uma unanimidade. Os coadjuvantes sempre surpreendem e a Academia gosta muito de dar uns Oscars para atores, fracos no conjunto, no primeiro buraquinho de "coisa boa" que eles mostram. Foi assim com a senhora Baldwin, num papel que demandava mais plasticidade e menos talento. Benicio Del Toro está, uma vez mais, ótimo, mas o filme não tem força e o ator não tem cacife suficiente para emplacar seu segundo Oscar. Djimon Hounsou, bem meia-boca, não me parece com chances.

num mundo provável: Tim Robbins, Sobre Meninos e Lobos
num mundo perfeito: Benicio Del Toro, 21 Gramas
faltou na lista: o maior pecado da lista do Oscar deste ano foi a não indicação de Paul Bettany, por Mestre dos Mares.


atriz coadjuvante

1 Renée Zellweger, Cold Mountain
2 Shohreh Aghdashloo, House of Sand and Fog
3 Patricia Clarkson, Do Jeito que Ela É
4 Marcia Gay Harden, Sobre Meninos e Lobos
5 Holly Hunter, Aos Treze

É admirável, memorável que a interpretação caricata e cheia de caras e bocas (de gente engraçadinha) de Renée Zellweger deva ganhar o Oscar. Quando surge na tela, Renée anuncia uma performance cheia de clichês, mas no decorrer do filme ela transforma a fórmula gasta de sua personagem numa interpretação maravilhosa. Merece dois prêmios. Shoreh Aghdashloo está cotadíssima nos sites espalhados por esse universo virtual de especulações. Como esta categoria é a das surpresas, não duvido. Patricia Clarkson faz uma doentinha e tem a seu favor o fato de ter sido preterida - até de uma indicação - por Longe do Paraíso (02). Pode surpreender. Nunca se pode desconsiderar Marcia Gay Harden, mas ela sofre do mesmo mal de Benicio Del Toro: Oscar recente e interpretação não tão empolgante (por sinal, eu acho bem clichê...). Mas... Holly Hunter, que está ótima, não parece ter muito fôlego.

num mundo provável: Renée Zellweger, Cold Mountain
num mundo perfeito: Renée Zellweger, Cold Mountain
faltou na lista: omissão imperdoável a de Laura Linney, por Sobre Meninos e Lobos.


filme estrangeiro

1 As Invasões Bárbaras, Canadá, Denys Arcand
2 Twin Sisters, Holanda, Ben Sombogaart
3 The Twilight Samurai, Japão, Yoji Yamada
4 Evil, Suécia, Mikael Håfström
5 Zelary, República Tcheca, Ondrej Trojan

Bem, esta categoria é a mais ridícula. Cada país indica um filme e um comitê define os finalistas. Ou seja, injustiça não falta. Para votar, tem que ver todos os filmes, o que muitas vezes derrubou alguns favoritos. Ainda acho que dá o Denys Arcand, que eu já disse que gosto muito, mas tudo pode acontecer, como sempre.

num mundo provável: As Invasões Bárbaras, Canadá, Denys Arcand
num mundo perfeito: As Invasões Bárbaras, Canadá, Denys Arcand
faltou na lista: Osama, do Afeganistão.


roteiro original

1 Sofia Coppola, Encontros e Desencontros
2 Jim Sheridan, Naomi Sheridan e Kirsten Sheridan, Terra de Sonhos
3 Andrew Stanton, David Reynolds e Bob Peterson, Procurando Nemo
4 Denys Arcand, As Invasões Bárbaras
5 Steve Knight, Coisas Belas e Sujas

Sofia Coppola, sem dúvida. Um grande roteiro, cuidadoso, inteligente e bem executado. É o voto das mulheres, dos alternativos, dos cabeça. E ainda garante o Oscar para o filme. Alguns anos-luz depois, vem Terra de Sonhos, mas acho difícil. Os outros são ou sem força (Nemo) ou controversos (Invasões Bárbaras e Coisas Belas e Sujas).

num mundo provável: Sofia Coppola, Encontros e Desencontros
num mundo perfeito: Sofia Coppola, Encontros e Desencontros
faltou na lista: Mike White, Escola de Rock


roteiro adaptado.

1 Brian Helgeland, Sobre Meninos e Lobos
2 Shari Springer Berman e Robert Pulcini, O Anti-Herói Americano
3 Fran Walsh, Peter Jackson e Philippa Boyens, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
4 Bráulio Mantovani, Cidade de Deus
5 Gary Ross, Seabiscuit - Alma de Herói

O Anti-Herói Americano ganhou no guild, mas eu o acho muito alternativo para a Academia. Eu, pessoalmente, acredito que dá o filme de Clint Eastwood, um grande texto sem dúvida. Não vejo muita chance para Cidade de Deus não. O Retorno do Rei deve ganhar vários, mas não esse. Ou não? Seabiscuit? No way...

num mundo provável: Brian Helgeland, Sobre Meninos e Lobos
num mundo perfeito: Brian Helgeland, Sobre Meninos e Lobos
faltou na lista: John August, Peixe Grande


fotografia

1 Eduardo Serra, Girl With The Pearl Earring
2 John Schwartzman, Seabiscuit - Alma de Herói
3 César Charlone, Cidade dos Deus
4 John Seale, Cold Mountain
5 Russell Boyd, Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo

Moça com o Brinco de Pérola. É um filme de fotografia - e parece um belo trabalho. Os oponentes seriam Seabiscuit - a melhor coisa do filme é a fotografia, que ganhou o guild - e Cidade de Deus, pela inventividade (?!?!). Será? Cold Mountain e Mestre dos Mares não tem muita força, mas o primeiro parece ter um pouco mais.

num mundo provável: Eduardo Serra, Girl With The Pearl Earring
num mundo perfeito: Eduardo Serra, Girl With The Pearl Earring
faltou na lista: Lance Acord, Encontros e Desencontros.


edição

1 Daniel Rezende, Cidade de Deus
2 James Sellkirk, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
3 Lee Smith, Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo
4 Walter Murch, Cold Mountain
5 William Goldenberg, Seabiscuit - Alma de Herói

Dizer que Cidade de Deus tem mais chances aqui virou notícia velha. Resta saber se a edição mais rápida, criativa vai superar O Retorno do Rei, montagem paralela mais clássica, que parece ser o único oponente real. Eu vou apostar no Brasil porque seria delicioso ver a vitória e porque eu acho que o filme merece mesmo. A favor, o sentimento da Academia de que o longa chamou tanta atenção que merece ganhar ao menos um prêmio. Mestre dos Mares seria uma opção, mas em outro ano, talvez. Cold Mountain não tem força. Seabiscuit? No way...

num mundo provável: James Sellkirk, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
num mundo perfeito: Daniel Rezende, Cidade de Deus (mas ao contrário de muita gente, eu acho que merece...)
faltou na lista: Sally Menke, Kill Bill: Volume 1, sem ver...

CHICO FIREMAN 10:40 PM [+]
Bilheteria:


Oscar 2003: apostas, parte 2

direção de arte

1 Grant Major (direção de arte), Dan Hennah e Alan Lee (cenários), O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
2 Lilly Kilvert (direção de arte) e Gretchen Rau (cenários), O Último Samurai
3 Ben Van Os (direção de arte) e Cecile Heideman (cenários), Girl with a Pearl Earring
4 Jeannine Oppewall (direção de arte); Leslie Pope (cenários), Seabiscuit - Alma de Herói
5 William Sandell (direção de arte) e Robert Gould (cenários), Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo

Grande, muito grande. Bem, vai dar O Retorno do Rei, né? Acho que, fora Mestre dos Mares, os outros três são ameaças distantes, na ordem: O Último Samurai, Moça com Brinco de Pérola e Seabiscuit.

num mundo provável: Grant Major (direção de arte), Dan Hennah e Alan Lee (cenários), O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
num mundo perfeito: Grant Major (direção de arte), Dan Hennah e Alan Lee (cenários), O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
faltou na lista: Dennis Gassner, Peixe Grande.


figurinos

1 Ngila Dickson, O Último Samurai
2 Diem Van Straalen, Girl With a Pearl Earring
3 Ngila Dickson e Richard Taylor, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
4 Judianna Makovsky, Seabiscuit - Alma de Herói
5 Wendy Stites e Kacy Treaway, Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo

O Retorno do Rei é sempre uma opção, mas acho que aqui a grandiosidade vai dar lugar à delicadeza. Este pode ser o Oscar de O Último Samurai, e pode premiar Moça com Brinco de Pérola, caso na venha o Oscar de fotografia. Mestre dos Mares não faz bem o perfil da categoria. Seabiscuit? No way...

num mundo provável: Ngila Dickson, O Último Samurai
num mundo perfeito: Ngila Dickson e Richard Taylor, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
faltou na lista: Penny Rose, Abaixo o Amor.


trilha sonora

1 Howard Shore, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
2 Gabriel Yared, Cold Mountain
3 Danny Elfman, Peixe Grande
4 Thomas Newman, Procurando Nemo
5 James Horner, House of Sand and Fog

Acho que engrossa o número de prêmios de O Retorno do Rei. Howard Shore fez, mais uma vez, uma trilha edificante com momentos belíssimos. Merece a vitória. Mas será que ele emplaca um segundo Oscar pela trilogia? Cold Mountain tem boas chances e eu não descarto Danny Elfman nem um pouco. Procurando Nemo é Thomas Newman. Aposta sempre. House of Sand and Fog também tem um nome forte por trás, mas deve passar mais longe do palco.

num mundo provável: Howard Shore, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
num mundo perfeito: Howard Shore, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
faltou na lista: Rachel Portman, Revelações


canção

1 Into the West, música e letra de Fran Walsh, Howard Shore e Annie Lennox O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
2 You Will Be My Ain True Love, música e letra de Sting, Cold Mountain
3 The Scarlett Tide, música e letra de T Bone Burnett e Elvis Costello, Cold Mountain
4 The Triplets of Belleville, música de Benoit Charest e letra de Sylvain Chomet, As Bicicletas de Belleville
5 Kiss at the End of the Rainbow, música e letra de Michael McKean e Annette O'Toole, A Mighty Wind

Não vejo muitas chances para A Mighty Wind, um pouco menos que The Triplets of Belleville, apesar da língua estrangeira. Aqui o embate é a grandiosidade de O Retorno do Rei e a tradição de Cold Mountain (a música do Sting antes da do Elvis Colstello). No fim, acho que Into the West ganha em ano de épico, mas não descarto You Will Be My Ain True Love.

num mundo provável: Into the West, música e letra de Fran Walsh, Howard Shore e Annie Lennox O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
num mundo perfeito: Into the West, música e letra de Fran Walsh, Howard Shore e Annie Lennox O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
faltou na lista: The School of Rock, de Escola de Rock


maquiagem

1 Richard Taylor e Peter King, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
2 Ve Neill e Martin Samuel, Piratas do Caribe
3 Edouard Henriques III e Yolanda Toussieng, Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo

As apostas estão indo mais pro lado de Piratas do Caribe - seria o Oscar do filme... mas O Retorno do Rei é o filme do ano, então eu vou com ele. Mestre dos Mares foi brincadeira...

num mundo provável: Richard Taylor e Peter King, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
num mundo perfeito: Richard Taylor e Peter King, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
faltou na lista: X-Men 2, que sequer foi considerado...


sonoplastia

1 Christopher Boyes, Michael Semanick, Michael Hedges e Hammond Peek, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
2 Paul Massey, D.M. Hemphill e Arthur Rochester, Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo
3 Andy Nelson, Anna Behlmer e Jeff Wexler, O Último Samurai
4 Christopher Boyes, David Parker, David Campbell e Lee Orloff, Piratas do Caribe
5 Andy Nelson, Anna Behlmer e Tod A. Maitland, Seabiscuit - Alma de Herói

O Retorno do Rei, a princípio. Mestre dos Mares, com fortes chances. Piratas do Caribe e O Último Samurai, bem mais atrás. Seabiscuit? No way...

num mundo provável: Christopher Boyes, Michael Semanick, Michael Hedges e Hammond Peek, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
num mundo perfeito: Christopher Boyes, Michael Semanick, Michael Hedges e Hammond Peek, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
faltou na lista: queria Extermínio na lista...


efeitos visuais

1 Jim Rygiel, Joe Letteri, Randall William Cook e Alex Funke, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
2 John Knoll, Hal Hickel, Charles Gibson e Terry Frazee, Piratas do Caribe
3 Daniel Sudick, Stefen Fangmeier, Nathan McGuinness e Robert Stromberg, Master and Commander: The Far Side of The World

O Retorno do Rei. Não há como errar. Mestre dos Mares é perfeito e perfeitamente discreto. Piratas do Caribe chama mais atenção, mas nem tanto.

num mundo provável: Jim Rygiel, Joe Letteri, Randall William Cook e Alex Funke, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
num mundo perfeito: Jim Rygiel, Joe Letteri, Randall William Cook e Alex Funke, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
faltou na lista: não entendi porque Matrix Reloaded não figurou entre os pré-selecionados...


edição de som

1 Richard King, Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo
2 Christopher Boyes e George Watters II, Piratas do Caribe
3 Gary Rydstrom e Michael Silvers, Procurando Nemo

Mestre dos Mares é o melhor e parece a vitória mais evidente. Piratas do Caribe seria consolação. Procurando Nemo ganha como animação então perde esse.

num mundo provável: Richard King, Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo
num mundo perfeito: Richard King, Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo
faltou na lista:: O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, óbvio.


filme de animação

1 Procurando Nemo, Andrew Stanton e Lee Unkrich
2 As Bicicletas de Belleville, Sylvain Chomet
3 Irmão Urso, Aaron Blaise e Robert Walker

Quem eu falei que ganhava esse? Não vou nem citar os outros...

num mundo provável: Procurando Nemo, Andrew Stanton e Lee Unkrich
num mundo perfeito: Procurando Nemo, Andrew Stanton e Lee Unkrich
faltou na lista: acho que não faltou, na verdade...


documentário

1 Sob a Névoa da Guerra, Errol Morris e Michael Williams
2 A Captura dos Friedman, Andrew Jarecki e Marc Smerling
3 My Architect, Nathaniel Kahn e Susan R. Behr
4 Balseros, Carlos Bosch e Marcos Loris Omedes
5 The Weather Underground, Sam Green e Bill Siegel

Sob a Névoa da Guerra é mais formal, mais norte-americano, mais "político". Vou apostar na Academia careta que deve preterir a ousadia de A Captura dos Friedman. Os outros não têm muitas chances...

num mundo provável: Sob a Névoa da Guerra, Errol Morris e Michael Williams
num mundo perfeito: A Captura dos Friedman, Andrew Jarecki e Marc Smerling
faltou na lista: ?. Acho Ônibus 174 questionável.

CHICO FIREMAN 10:40 PM [+]
Bilheteria:

Segunda-feira, Fevereiro 23, 2004


The yellow brick road

O Screen Actor Guild, o sindicato dos atores norte-americanos, confirmou algumas tendências para os Oscars de atuação. Charlize Theron foi a melhor atriz por Monster, como já era esperado. E Renée Zellweger, por Cold Mountain, e Tim Robbins, por seu papel em Sobre Meninos e Lobos, foram eleitos os melhores coadjuvantes, ambos explorando a caricatura. Renée, transformando os clichês numa interpretação genial, e Robbins, afundando na obviedade. A grande surpresa da premiação, que ainda elegeu o elenco de O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, foi o anunciado melhor ator do ano. Johnny Depp e sua Jack Sparrow de Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra bateu os favoritos Bill Murray e Sean Penn. Difícil repetir a façanha no Oscar, mas sua vitória embola tudo.

Os outros guilds também já revelaram seus prêmios. Peter Jackson foi eleito o melhor diretor por O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, favorito absoluto ao Oscar, embora eu ache que ele tem concorrentes possíveis. O longa ainda foi o melhor para os editores na categoria drama. Os roteiristas elegeram Encontros e Desencontros (original) e O Anti-Herói Americano (adaptação). O filme de Sofia Coppola é vitória quase certa na Academia, mas entre os roteiros adaptados, Sobre Meninos e Lobos é muito forte. Os fotógrafos elegeram Seabiscuit - Alma de Herói. Será? Tenho imensas dúvidas... Ainda esta semana, minhas apostas finais para o Oscar.

CHICO FIREMAN 12:33 AM [+]
Bilheteria:

Sábado, Fevereiro 21, 2004


Ken Park



Larry Clark é um engodo, a maior farsa do cinema norte-americano atual. Surgido como o homem que iria revelar a verdade por trás dos adolescentes de hoje, fez um trabalho que chamou a atenção, Kids (96), mas que trafegava entre a denúncia e o escândalo gratuito. O saldo era positivo porque Clark conseguiu um trio de ótimos jovens atores, de onde saiu a loirinha Chlöe Sevigny. O problema é que Clark queria continuar a chocar. E tinha que aumentar a intensidade de suas imagens para conseguir aterrorizar uma população que já está acostumada com uma juventude cada vez mais violenta. Solução? Sexo, pessoal. Sexo, todo mundo faz, mas pouca gente gosta de ver assim, na frente de todo mundo. Então Clark coloca um garoto fazendo sexo oral na sogra, um pai que revela desejo pelo próprio filho e faz um rapaz se masturbando em frente à câmera, com direito a ejaculação e tudo mais, para depois cometer um ato extremo. Ken Park é gratuito em cada cena, em cada fotograma. E é óbvio o tempo inteiro. Não caia nessa. Larry Clark é um engodo, a maior farsa do cinema norte-americano atual.

P.S.: a estrelinha solitária é para a interpretação de James Ransone, que consegue demonstrar talento, apesar da obviedade do texto de seu Tate.

Ken Park
Ken Park, EUA, 2002.
Direção e Fotografia: Larry Clark e Ed Lachman.
Elenco: James Ransone, Tiffany Limos, Stephen Jasso, James Bullard, Mike Apaletegui, Adam Chubbuck, Wade Williams, Amanda Plummer, Julio Oscar Mechoso, Maeve Quinlan, Bill Fagerbakke, Harrison Young, Patricia Place, Richard Riehle, Seth Gray, Eddie Daniels, Larry Clark.
Roteiro: Harmony Korine. Produção: Kees Kasander e Jean-Louis Piel. Edição: Andrew Hafitz. Direção e Arte: John DeMeo. Figurinos: Michele Posch.

(postado originalmente no dia 7 de outubro de 2003)

CHICO FIREMAN 6:19 PM [+]
Bilheteria:

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004


Cold Mountain



Existe algo de nobre em louvar o velho. Anthony Minghella sabe bem disso. Ganhou o Oscar ao criar um épico disfarçado de filme independente em 1996 (O Paciente Inglês, 96). Sete anos depois, faz o mesmo, em proporções ainda maiores. Cold Mountain é uma história clássica: homem se apaixona por mulher e, antes de qualquer tipo de proximidade maior, parte para uma guerra que os separa por anos e que culmina num exaustivo caminho de volta. Paralelamente a isso, muito sofrimento da amada. A estrutura, mais que norte-americana, é greco-romana. É a essência da literatura romântica. Retratar isso nos dias de hoje não é nenhum pecado. E Anthony Minghella não teme sua odisséia e faz de tudo para que o filme seja o mais clássico possível, no que isso tem de bom e de ruim.

Se pretende ser o ...E O Vento Levou (39) dos tempos modernos, o filme do diretor peca porque os desenhos dos personagens de Jude Law e, sobretudo, Nicole Kidman, são pobres. Eles são lindos, bons e puros. Os melhores, os mais belos, aqueles que têm que se reencontrar. Rhett Buttler não tinha um caráter tão positivo e Scarlett O´Hara estava bem livre das rédeas do estereótipo de mocinha da sociedade burguesa norte-americana. Em 1939, os personagens eram mais modernos do que hoje. Nada como o tempo para mostrar as feridas. Minghella queria ser clássico. Conseguiu. O problema é que, se ele queria ser velho, conseguiu êxito maior ainda. Cold Mountain não é um filme ruim, mas não é um filme perdido no tempo.

O Tiago foi preciso quando disse que mostrar a periferia da guerra civil norte-americana é o maior trunfo do filme. Vidas devastadas, famílias destruídas são o que Cold Mountain traz de novo para o cinema. Um filme precisa contribuir. Ou se perder. A grande cena do longa é aquela em que o personagem de Jude Law se deita ao lado de Natalie Portman. O conforto mais imediato, a lágrima mais sincera. Natalie é uma grande atriz. Atriz escondida, mas grande. Assim como Jude Law, perfeito num papel cheio de limites. E, se Nicole Kidman, repete maneirismos e faz um pastiche de tudo que já interpretou no cinema num personagem sem encanto, Renée Zellweger salta os clichês de uma performance a princípio caricata e mostra porque é uma grande atriz. Uma imensa atriz. A lista do Oscar parece que foi bem justa neste cado. No fim, Cold Mountain fica no banco. É bom, mas não tem talento suficiente para ser da seleção principal.

Cold Mountain
Cold Mountain, Estados Unidos, 2003
Direção e Roteiro: Anthony Minghella, baseado no romance de Charles Frazier.
Elenco: Jude Law, Nicole Kidman, Renée Zellweger, Brian Gleeson, Jack White, Giovanni Ribisi, Donald Sutherland, Kathy Baker, Philip Seymour Hoffman, Natalie Portman, Jena Malone, Eileen Atkins, Ray Winstone, James Gammon, Charlie Hunnam, Melora Walters, Lucas Black, Cillian Murphy.
Produção: Albert Berger, William Horberg, Syney Pollack e Ron Yerxa. Fotografia: John Seale. Edição: Walter Murch. Música: Gabriel Yared. Direção de Arte: Dante Ferretti. Figurinos: Carlo Poggioli e Ann Roth. Canções: Jack White, T-Bone Burnett, Elvis Costello e Sting.

CHICO FIREMAN 9:49 PM [+]
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Escola de Rock



Em Salvador, existe um lugar chamado Calypso. Foi o primeiro bar que eu conheci desde que vim morar aqui. Talvez seja o lugar mais rock'n'roll do mundo. Um sótão apertado onde você tem que atravessar a banda para comprar sua cerveja. O mesmo trajeto conduz ao banheiro. Só vai ao Calypso quem gosta de rock. O lugar é intragável para quem acha que Maria Rita fez o disco do ano ou que a música eletrônica deixou tudo para trás. O Calypso vai fechar. A comunidade roqueira de Salvador está bem triste. Porque aquele velho espírito livre do amante do rock talvez não tenha mais espaço no mundo de hoje. Na verdade, nem sei muito bem porque eu escrevi isso tudo... Eu andei pensando muito e descobri que eu não sei escrever sobre Escola de Rock. Talvez porque eu não saiba me expressar muito bem sobre as coisas de que eu gosto muito. E eu gosto muito deste filme de amor.

Escola de Rock é um filme de amor, amor pela música. Amor maior que tudo, como devem ser os amores. O longa de Richard Linklater, do excelente Antes do Amanhecer (95), adota todos os clichês dos filmes de escola e dos filmes de rock, muitas vezes é óbvio, mas nunca, absolutamente nunca, deixa de ser um filme delicioso. A cena mais bonita é quando o personagem de Jack Black, que montou uma banda-mirim com fins estritamente egoístas, começa a perceber que as crianças estão se envolvendo de verdade com a coisa que ele mais ama. A partir daí, sua função na história é de professor mesmo. De ensinar rock'n'roll para os garotos. E não existe nada mais nobre que isso: ensinar o que se ama. É bobo isso que eu escrevi. Esse texto é provavelmente o mais pobre que eu já fiz, mas eu não sei fazer de outro jeito.

Linklater obedece todas as regras criadas por filmes como Ao Mestre Com Carinho (67), com carinho, mas nunca resvala na falta de originalidade justamente porque aposta nesse fascínio pela música. O roteiro de Mark White, o ator que interpreta o melhor amigo de Black, transcende os clichês criando cenas que não deixam nada a dever a clássicos do filmes sobre rock, como Quase Famosos (00), o melhor de todos. Não vou nem falar sobre a performance perfeita de Jack Black e de seus encantadores pupilos. Muito menos das canções da trilha sonora, entre elas as compostas para o filme. Só posso dizer que Escola de Rock me deixou bem emocionado em algumas muitas cenas. Cenas em que a gente percebe que aquilo que a gente ama tanto ainda pode tocar gente que está começando a conhecer o mundo. Nada como um solo de guitarra. Nada como ouvir David Bowie quietinho no quarto, com as luzes apagadas, e uma vontade danada de chorar.

Escola de Rock
The School of Rock, Estados Unidos, 2003
Direção: Richard Linklater.
Elenco: Jack Black, Joan Cusack, Mike White, Sarah Silverman, Joey Gaydos Jr., Miranda Cosgrove, Kevin Alexander Clark, Robert Tsai, Maryam Hassan, Rebecca Brown, Caitlin Hale, Aleisha Allen, Brian Falduto, Zachary Infante, James Hosey, Angelo Massagli, Cole Hawkins, Veronica Afflerbach, Jordan-Claire Green, Adam Pascal, Lucas Papaelias, Chris Stack, Lucas Babin, Jaclyn Neidenthal.
Roteiro: Mike White. Produção: Scott Rudin. Fotografia: Rogier Stoffers. Edição: Sandra Adair. Música: Craig Wedren. Direção de Arte: Jeremy Conway. Figurinos: Karen Patch. Canções: Jack Black, Warren Fitzgerald e Mike White.

CHICO FIREMAN 2:41 AM [+]
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Domingo, Fevereiro 15, 2004


Para o Léo:

As músicas e o cinema
uma lista com os dez maiores ícones da canção na arte de número 7

1 Singin' In The Rain, Cantando na Chuva, 52
2 Over The Rainbow, O Mágico de Oz, 39
3 As Time Goes By, Casablanca, 42
4 Cheek to Cheek, O Picolino, 36
5 Moon River, Bonequinha de Luxo, 61
6 Stayin' Alive, Os Embalos de Sábado à Noite, 77
7 Que Sera, Sera, O Homem Que Sabia Demais, 56
8 Raindrops Keep Fallin´ on My Head, Butch Cassidy, 69
9 When You Wish Upon a Star, Pinóquio, 40
10 New York, New York, New York, New York, 77

É uma lista de grandes ícones, não necessariamente as minhas favoritas.

P.S.: a a terceira edição da Festa Sountrack, no Rio, ontem, sábado, foi um sucesso. Já tô sabendo...

CHICO FIREMAN 3:27 PM [+]
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Um texto inicial sobre o Oscar

A data mudou e parece que foi apenas ela. A lista de indicados ao Oscar deste ano não tem muitas surpresas. Cidade de Deus? A repercussão do filme entre os membros da indústria do cinema norte-americano, com elogios rasgados de "este é o melhor filme do ano" ou "um dos filmes da minha vida", já dava uma pista do que poderia acontecer. Quatro indicações realmente podem chocar um país de periferia como o nosso - periferia do desenvolvimento, certo? - mas, quando se pensa que um filme muito mais difícil como Gritos e Sussurros, do grande Ingmar Bergman, emplacou cinco muito antes do processo conhecido como globalização e do estúdio chamado Miramax, vê-se que o espaço, restrito, sempre existiu. Um filme pop como o de Fernando Meirelles teoricamente tinha bem mais chances.

Mais surpreendente que as indicações em si foram as reações no Brasil. Cidade de Deus dividiu platéias desde o início. Muitos o amam, saudando sua linguagem assumidamente popular e moderna - nos seus vícios e virtudes -, enquanto um bom punhado de pessoas implica com suas técnicas publicitárias e inegalvelmente industriais. Portanto, foi engraçado ler por aí frases do tipo: "eu não gosto filme, mas fiquei muito feliz com as indicações e vou torcer pra ele ganhar pelo menos um". Acho que deve ser um pouco do estigma que o brasileiro tem de vencedor e perdedor. Um país que pára durante a Copa do Mundo e que pega carona no prêmio dos outros para minimizar suas mazelas mais imediatas.

Prêmio dos outros, sim, porque o Oscar nunca foi e nem nunca teve a intenção de ser um prêmio mundial. São os melhores do cinema norte-americano e só. A inclusão neste seleto grupo de filmes falados em línguas estranhas ao inglês é apenas uma exceção a ser comemorada. Não com esse olhar colonizado, mas como uma boa notícia destas que de vez em quando aparecem por aí. Cidade de Deus é um bom filme e isso confere mais mérito à torcida do que torcer por O Quatrilho, por exemplo, que é um filme muito ruim, ou Carandiru, que nunca se cumpre, que nunca existe enquanto obra. Que ninguém amaldiçoe o mundo se nenhum Oscar voltar na bagagem do diretor. Foi ridículo destroçar Gwyneth Paltrow (que estava bem, encantadora) apenas porque Fernanda Montenegro - sim, ela era muito melhor - não ganhou e levantou o orgulho da nação.

As chances do longa de Meirelles são escassas. Melhor diretor é impossível. Roteiro adaptado, nem pensar. Fotografia, improvável. A imprensa aposta, então, na edição de Daniel Rezende, que, de certo modo, é o filme em si. Prêmios técnicos dificilmente vão parar nas mãos de estrangeiros, mas hoje tudo parece ser possível frente à campanha de Cidade de Deus, esnobado entre os longas de outra língua no ano passado, beneficiado por mudanças nas regras nos últimos anos. Eu, francamente, torço por ele, sobretudo pela edição. Como o diretor gritou aos quatro cantos, é o filme melhor montado em competição. E o que é justo é o que é justo, mamãe ensinou.

Uma festa com todos os arquétipos

Existem alguns modelos básicos de filmes que concorrem ao Oscar:

1) o épico grandioso, que se aventura pela história ou pela fantasia e promove batalhas - físicas e morais -, além de evocar o cinema grandioso, a figura do herói, os sentimentos essenciais;

Exemplos: Ben-Hur (59) e Gladiador (00).

2) o clássico filme independente, de circuito alternativo, que se destaca pela ousadia formal ou de conteúdo, com prestígio de sobra e que faz sucesso absoluto em premiações de críticos e jornalistas;

Exemplos: Perdidos na Noite (69) e Beleza Americana (99).

3) o grande filme de um grande diretor que não se rende - tanto - aos chavões dos grandes estúdios e que consolida sua carreira com base no grande talento dos envolvidos em sua realização e seu clima de "grande", mesmo que não seja para todos os públicos;

Exemplos: Um Estrannho no Ninho (75) e Os Imperdoáveis (92).

4) o filme fabricado para o Oscar. Aquele que gasta muito dinheiro para ficar bem embalado para a Academia, apostando no grande espírito norte-americano de superação de dificuldades, que lhe concedem aura de filme de arte e enganam muita gente;

Exemplos: Dança com Lobos (90) e Uma Mente Brilhante (01).

Todos estes modelos estão bem representados entre os indicados para melhor filme. O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei se encaixa no número um; Encontros e Desencontros é um exemplo perfeito para o número dois; Sobre Meninos e Lobos é a contribuição para as fileiras do número três; e Seabiscuit - Alma de Herói galopou muito para representar o quarto modelo. O único candidato que, de certa forma, foge dos estereótipos é Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo, um filme parece um épico, mas não é. Que poderia representar o filme do Oscar, mas foge disso também, apostando numa embalagem mais pessoal que causou estranheza em muito espectador.

Mas todos os filmes que disputam o prêmio principal, exceto o medíocre Seabiscuit, o único que não reprisa a indicação para seu diretor, têm grandes qualidades, número acima da média das edições anteriores do Oscar. O Retorno do Rei guarda todas as virtudes do épico, sobretudo no desenvolvimento de suas inúmeras personagens. Encontros e Desencontros mostra uma diretora madura, que não se ampara numa estrutura básica de filme independente para criar sua história de amor. Sobre Meninos e Lobos disserta com propriedade sobre temas batidos de forma sóbria, o que nos faz crer que toda revisão é bem-vinda. Mestre dos Mares é muito mais sobre coração que sobre navios. Enfim, de certa forma, todos merecem a indicação.

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Terça-feira, Fevereiro 10, 2004


Os filmes do Oscar

Aos Treze, Catherine Hardwicke
Quer ser sério, real. Esse é o problema. Na tentativa de mostrar as mazelas da adolescência, fica no clichê, mas é bem superior às bobagens de Larry Clark. Evan Rachel Wood é uma boa promessa, mas o destaque vai pra Holly Hunter, que há muito tempo não aparecia tão bem.

Balseros
É um documentário bem convencional, mas tem um admirável trabalho ao acompanhar as histórias em Havana, na base de Guantânamo e até nos Estados Unidos. É um filme correto. Legal ter sido lembrado.

Cidade de Deus, Fernando Meirelles
Apesar da fotografia publicitária, é um filme bem dirigido. Bem acabado tecnicamente, é um filme que aposta muito no valor de suas jovens interpretações. Há muitas e boas. Douglas Silva é o melhor demônio-mirim que já apareceu nas telas em muito tempo.

Encantadora de Baleias, Niki Caro
Um farsa. Um filme que jura que é uma obra de arte, mas foi feito com vistas em prêmios como esse. Engana com o apelo sentimental. Fraco, ruim.

Encontros e Desencontros, Sofia Coppola
Um belo trabalho de Sofia Coppola, superior à estréia da diretora em As Virgens Suicidas (99). Um roteiro cuidadoso, que explora a solidão com poucos ultimamente. Bill Murray, fantástico. Scarlett Johansson, luminosa.

As Invasões Bárbaras, Denys Arcand
Ao contrário da visão de muita gente por aí, um filme muito bem resolvido. O fim das utopias, um elenco sagaz, diálogos inteligentes.

Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo, Peter Weir
Uma grande surpresa. Um filme muito bem dirigido, com pelo menos uma grande interpretação: Paul Bettany, grande omissão entre os melhores coadjuvantes do ano. Peter Weir dirige um filme seco e bastante pessooal.

Na Captura dos Friedman, Andrew Jarecki
Belo trabalho. Um filme sobre a verdade. Aquela que não existe.

Procurando Nemo, Andrew Stanton e Lee Unkrich
Grande trabalho da Pixar. Quem quiser que discorde, mas este filme é delicioso de assistir. Simples, direto, cheio de mensagens e mesmo assim inteligente e divertidíssimo.

Seabiscuit - Alma de Herói, Gary Ross
O cavalo precisa redescobrir o sentido da vida. E um monte de gente pega carona nele, inclusive um diretor que tinha começado bem... Uma porcaria que queria abocanhar um Oscarzinho eplo menos.

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, Peter Jackson
A saga termina bem. O primeiro ainda é o melhor filme. Menos ação e mais relação entre os personagens, mas O Retorno do Rei é um grande trabalho de Peter Jackson, que tem o talento necessário para filmar o macro e o micro, tarefa difícil.

Sob a Névoa da Guerra, Errol Morris
Convencional, chato, arrastado e muito norte-americano.

Sobre Meninos e Lobos, Clint Eastwood
Grande trabalho de direção de Clint Eastwood. Elenco irregular, onde os melhores são justamente os que não estão indicados (Kevin Bacon e Laura Linney). Tim Robbins e Marcia Gay Harden, em momento perturbado, saem do tom do filme.

Terra de Sonhos, Jim Sheridan
Bonzinho, boas intenções e pouca intensidade. Paddy Considine é o melhor do elenco e não está na lista dos indicados. As menininhas - eu sei, é clichê - são encantadoras.

O Último Samurai, Edward Zwick
"Se a lenda desta paixão...". Muita honra, muita coragem, muita garra, muita determinação... pouco filme.

21 Gramas, Alejandro González Iñarritú
O elenco é melhor que o filme, que é bom. A fórmula parece muito com Amores Brutos (01), mas isso não é tão problemático. Sean Penn deveria ter sido lembrado por este aqui.


O que eu ainda não vi:

Alguém Tem que Ceder, Nancy Meyers
O Anti-Herói Americano, Robert Pulcin e Sharon Springer Berman
As Bicicletas de Belleville, Sylvain Chomet
Coisas Belas e Sujas, Stephen Frears
Cold Mountain, Anthony Minghella
The Cooler, Wayne Kramer
Do Jeito que Ela É, Peter Hedges
Evil, Mikael Håfström
House of Sand and Fog, Vadim Perelman
Irmão Urso, Aaron Blaise e Robert Walker
Irmãs Gêmeas, Ben Sombogaart
A Mighty Wind, Christopher Guest
Moça com Brinco de Pérola, Peter Webber
Monster, Patty Jenkins
My Architect, Nathaniel Kahn
Peixe Grande, Tim Burton
Piratas do Caribe, Gore Verbinski
The Twilight Samurai, Yoji Yamada
The Weather Underground, Sam Green e Bill Siegel
Zelary, Ondrej Trojan

CHICO FIREMAN 10:47 PM [+]
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Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004


Seabiscuit - Alma de Herói



Quase todos os anos, Hollywood se masturba. Ou masturba o grande país que deveriam ser os Estados Unidos. A homenagem é levar às telas histórias de pessoas simples que se estruturam na superação de obstáculos, na busca de sentido para suas vidas. Pequenas histórias que dão lições e que ajudam as pessoas comuns de verdade, como eu e como você, a trazer para as nossas realidades verdades universais importantes de se praticar. Para dar mais credibilidade aos roteiros, quase sempre eles são adaptações de livros que enaltecem a boa gente que mora na América. Os filmes são discretos. Os temas, grandiosos. Os engana-trouxas surgem com produção caprichada, diretores ou desconhecidos ou de boa reputação e muitas possibilidades de aparecer com boa visibilidade na festa do Oscar.

Foi assim com Campo dos Sonhos (Phil Alden Robinson, 89), O Encantador de Cavalos (Robert Redford, 98) e com esse Seabiscuit - Alma de Herói, que vem depor contra a carreira de Gary Ross, que tinha estreado com o belo A Vida em Preto-e-Branco (98). Pois bem, Seabiscuit é sobre superação. Só há fracassados no filme. Um jóquei abandonado pela família, um empresário que perdeu dinheiro e um filho e um instrutor que não encontra um espaço para trabalhar. Todos querem descobrir um novo sentido para suas vidas. Inclusive aquele que une todos os três: um cavalo. Seabiscuit, o animal, era bonzinho até demais, mas comia muito e gostava de dar umas cochiladas. Resultado: a fama de preguiçoso e glutão o afastou da futura carreira de ídolo do esporte. E Seabiscuit vira cavalo-escada para campeões. O destino deixou o bicho furioso. Ele virou uma fera do estábulo. E domá-lo parece ser a única solução para que as vidas de todas as personagens mais importantes do filme se reestruturem.

O roteiro fala sozinho, né? Então, vamos ver porque será que esse está disputando tanto prêmio. Primeiro, Gary Ross reuniu um elenco de peso. William H. Macy, bom ator em bom momento, Chris Cooper, bom ator em momento clichê, Tobey Maguire, bom ator em mau momento, e Jeff Bridges, que nunca foi bom ator, mas que sempre foi uma figura muito simpática com quem você tomaria uma cerveja, em bom momento. Isso já chama atenção. Olha a credibilidade de novo. A técnica do filme é muito competente em diversas áres: da direção de arte à sonoplastia, com destaque para a fotografia de John Schwartzman, que explora as pigmentações como pode e nos dá vermelhos, verdes e azuis bem bonitos. A música de Randy Newman, outro favorito das melodias doces e envolventes, embala tudo. Ah... é isso. Seabiscuit é um montão de bobagens embaladas com papel de presente.

Seabiscuit - Alma de Herói
Seabiscuit, Estados Unidos, 2003
Direção e Roteiro: Gary Ross, baseado no livro Seabiscuit, de Laura Hillenbrand.
Elenco: Jeff Bridges, Chris Cooper, Tobey Maguire, Elizabeth Banks, Valerie Mahaffey, Michael O'Neill, Annie Corley, Michael Angarano, Ed Lauter, Gianni Russo, Sam Bottoms, David Doty, Royce D. Applegate, Dyllan Christopher, Gary Stevens, David McCullough (narração).
Produção: Kathleen Kennedy, Frank Marshall, Gary Ross e Jane Sindell. Fotografia: John Schwartzman. Edição: William Goldenberg. Direção de Arte: Jeannine Claudia Oppewall. Figurinos: Judianna Makovsky. Música: Randy Newman.

CHICO FIREMAN 1:31 AM [+]
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Terra de Sonhos



Terra de Sonhos é inspirado na história real da família Sheridan. O roteiro creditado ao diretor e suas duas filhas dá uma idéia do quão pessoal é o projeto. Talvez seja justamente por causa desse envolvimento emocional impossível de escapar que o filme não seja tão bom quanto poderia ser. O exôdo de pai, mãe e duas filhas para os Estados Unidos tem um quê de filme social, de denúncia e de história pequena, particular. Mas o texto, que cria algumas cenas bonitas, nunca é uniforme e sua irregularidade desequilibra todo o resto. Sheridan parece ter tanto cuidado com seu trabalho - talvez para não soar tão autobiográfico assim - que não consegue envolver com seu roteiro e sua direção aqui está bem inferior a de trabalhos como Meu Pé Esquerdo 989) e Em Nome do Pai (93).

O destaque absoluto do filme são as interpretações. Samantha Morton, ótima em Poucas e Boas (99) e Minority Report, assume bem o papel da mãe. As irmãs atrizes Emma e Sarah Bolger são fascinantes. A mais velha é dona da cena mais impressionante do filme, quando confessa que carrega há anos a família nas costas. Djimon Hounsou é o único irregular no elenco. Na ânsia de mostrar a raiva dentro de um artista que implode a cada dia, ele exagera em gritos sem necessidade. Mas a interação com as duas garotas é impressionante. No entanto, a melhor interpretação do filme ficou de fora das listas de prêmios espalhadas por aí. Paddy Considine está perfeito num misto de pai protetor, ator fracassado, homem digno. É ele que sustenta a família e o filme. Foi para ele que Jim Sheridan desenhou o papel mais redondo de Terra de Sonhos.

Terra de Sonhos
In America, Irlanda/Grã-Bretanha, 2003
Direção: Jim Sheridan.
Elenco: Paddy Considine, Samantha Morton, Sarah Bolger, Emma Bolger, Ciaran Cronin, Djimon Hounsou, Juan Hernandez, Jason Salkey, Rene Millan, Sara James, Adrian Martinez, Merrina Millsapp, Nick Dunning, Jessica Peters (voz).
Roteiro: Jim Sheridan, Naomi Sheridan e Kirsten Sheridan. Produção: Arthur Lappin e Jim Sheridan. Fotografia: Declan Quinn. Edição: Naomi Geraghty. Direção de Arte: Mark Geraghty. Figurinos: Eimer Ni Mhaoldomhnaigh. Música: Gavin Friday e Maurice Seezer.

CHICO FIREMAN 12:51 AM [+]
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Sábado, Fevereiro 07, 2004


Party Monster



Vou confessar. Sempre gostei de Macaulay Culkin. Adoro o desempenho dele em Esqueceram de Mim (90) e até no bobinho Meu Primeiro Amor (91). Então, minha expectativa para a volta do rapaz às telas depois de dez anos de recolhimento, drogas, ídolos da música pop, exploração paterna e até um casamento era bem grande. Maior ainda porque o garoto perdido escolheu uma personagem bem controvertido para reaparecer no cinema: Michael Alig, nome importante na noite nova-iorquina nos anos 90, criador de festas gay escandalosas que fizeram sua fama. Era a chance de Culkin provar que é um grande ator como sempre deu a entender. Mas isso não acontec.

Party Monster parece filme de formatura de estudante de cinema recém-saído da faculdade. É tolo, espalhafotoso, pouco profundo e com uma necessidade bem visível de chocar. O universo gay visto no filme se baseia em estereótipos gastos. Estereótipos que podem até ter um pé no real, mas que são estereótipos perigosos. Macaulay Culkin, preocupado em deixar sua performance o mais peculiar possível, fica preso numa sucessão de afetações que deixam a personagem e o filme desacreditados. Ruim. Ruim mesmo. O tom sarcástico e deliberadamente (e exageradamente) cômico minimizam as tentativas - parcas - de aprofundamento psicológico do filme.

Party Monster termina melhor do que começa, mas nem assim consegue ser um filme satisfatório. O elenco embarca na bobagem e entrega performances nulas ou medíocres. A exceção é apenas Seth Green. O ator, que já foi a persona de Woody Allen em A Era do Rádio (87) e que foi parar na série boboca Austin Powers (97-02), no papel do autor do livro em que o roteiro foi baseado, cria o único personagem digno do filme. Afetado na medida certa, com silêncios necessários a qualquer um em que se queira acreditar.

Party Monster
Party Monster, Estados Unidos, 2003
Direção: Fenton Bailey e Randy Barbato.
Elenco: Macaulay Culkin, Seth Green, Chloë Sevigny, Natasha Lyonne, Marilyn Manson, Wilmer Valderrama, Wilson Cruz, Diana Scarwid, Dylan McDermott, Mia Kirshner, Justin Hagan, John Stamos, Clark Render.
Roteiro: Fenton Bailey e Randy Barbato, baseados no livro Disco Bloodbath, de James St. James. Produção: Fenton Bailey, Randy Barbato, Jon Marcus, Bradford Simpson e Christine Vachon. Fotografia: Teodoro Maniaci. Edição: Jeremy Simmons. Direção de Arte: Andrea Stanley. Figurinos: Richie Rich (como Heatherette) e Michael Wilkinson. Música: Jimmy Harry.

CHICO FIREMAN 5:37 PM [+]
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Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004


21 Gramas



Narrativas esfaceladas podem provocar estranheza em muitas platéias, mas, desde que Pulp Fiction (94) ganhou um Oscar de roteiro original, elas deixaram de ser novidade. O maior atrativo de 21 Gramas é como o roteiro de Guillermo Arriaga apresenta a história que une três personagens cujas vidas se cruzam em um determinado momento. Fosse esse apenas seu único mérito, o segundo longa-metragem de Alejandro González Iñarritú não chegaria muito longe, mas o mexicano revela aqui um grande desenvoltura como diretor de atores. Sean Penn, Naomi Watts e Benicio Del Toro são nomes que fortalecem qualquer elenco, que garantem créditos para qualquer filme, mas suas interpretações aqui vão além do talento pessoal, apontam para um vigoroso trabalho na condução dos desempenhos. E na unificação do discurso também. Iñarritú compõe um cotidiano contemporâneo, que não é estruturado em padrões estereotipados de personagem suburbanos. Pelo contrário, ações e reações, pessoas e lugares soam não apenas reais, mas próximos. A edição, a coisa mais visível no filme, vira coadjuvante. Apesar de uma certa repercussão contraditória, ela é boa. Mas não é o melhor. O roteiro pode partir de uma idéia semelhante a Amores Brutos (01), estréia do diretor, mas as relações estabelecidas entre os personagens transformam o filme num trabalho honesto e bem realizado. Sean Penn, num desempenho muito melhor do que o indicou para o Oscar (Sobre Meninos e Lobos, de Clint Eastwood), comanda um elenco afinado e sem afetações.

21 Gramas
21 Grams, Estados Unidos, 2003
Direção: Alejandro González Iñárritu.
Elenco: Sean Penn, Naomi Watts, Benicio Del Toro, Charlotte Gainsbourg, Melissa Leo, Clea DuVall, Danny Huston, Carly Nahon, Claire Pakis, Nick Nichols, John Rubinstein, Eddie Marsan, Loyd Keith Salter, Antef A. Harris, Marc Thomas Musso, Teresa Delgado.
Roteiro: Guillermo Arriaga, com base na história escrita por ele e Alejandro González Iñárritu. Produção: Alejandro González Iñárritu e Robert Salerno. Fotografia: Rodrigo Prieto. Edição: Stephen Mirrione. Direção de Arte: Brigitte Broch. Figurinos: Marlene Stewart. Música: Gustavo Santaolalla.

CHICO FIREMAN 9:26 PM [+]
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